Interdições, a reação dos Bombeiros
Edgar Vaz (*)
O que será que está por trás das interdições promovidas pelo Corpo de Bombeiros, nos estádios gaúchos?
Será puramente uma questão de segurança? Ou uma resposta tardia à sociedade gaúcha após a tragédia da Boate Kiss.
Na verdade, apenas os bombeiros diretamente envolvidos com o episódio, não apenas pelo jogo de empurra com o poder público, sobre quem teria a responsabilidade no caso, acabaram punidos. A corporação teve a imagem atingida, e os “homens que combatem o fogo”, sofreram punições, que outros não sofreram.
Sem entrar no mérito, há de se considerar que a habilidade dos “causídicos”, supera de longe, a determinação de quem arrisca a própria vida, recebendo salários miseráveis, para salvar a vida dos outros.
Agora, o que ocorre é uma onda justicialista, daquilo que sempre deveria ser, mas que só despertou após as vidas ceifadas naquela trágica madrugada de janeiro de 2013.
É a reação dos bombeiros é pautada pela legislação. Isso não pode ser contestado. Interditar estádios porque não há uma proteção nas escadarias desta ou daquela arquibancada é algo demasiado. Implantar sistema de segurança que desliga automaticamente a energia elétrica é um exagero. Afinal, os episódios que resultaram em ferimentos a torcedores em estádios no Rio Grande do Sul, são insignificantes para o contexto.
Mas é a lei, que visa proteger a vida das pessoas, e por isso já se justifica, mesmo que não se tenha noticia de tragédia em estádios no Brasil recentemente.
Alguns vão mais longe, quando contestam as normas praticadas em Arenas e estádios modernos, e que não se fundamentam em pequenas casas esportivas, antigas e até mesmo antiquadas para a prática do futebol.
O Corpo de Bombeiros mostra determinação em suas exigências, mas se bem conheço a sociedade brasileira, tudo terá um “jeitinho”.
Seria importante que os dirigentes avançassem em seus princípios. Não de forma radical como exigem os bombeiros, mas que resultasse em um passo à frente na modernização das praças esportivas.
Mas o dinheiro anda escasso. Fazer futebol é muito difícil, principalmente em pequenas comunidades. Porém, sempre existe alguém que se lança ao desafio. E se assim acontece, porque não assumir a responsabilidade pelo espetáculo, em toda a sua essência?
Aquilo que estamos vivenciando neste ano, deve servir para mobilizar dirigentes, empresários e as autoridades para que juntos encontrem soluções para o problema.
Pérolas do Mundo da Bola
Um certo ponteiro-direito, velocista, dedicado e rebelde com a arbitragem, conseguiu um feito que para a época, lá pela década de 1970, foi escandaloso e rendeu muita gozação. O juvenil do Inter SM, tinha um belo time de futebol. Venceu o time de Tenente Portela, pelo elástico placar de 10 a zero. Ao final da partida todos comemoravam o feito, mas o cara contrariado com a arbitragem foi reclamar após o apito final. Foi expulso pelo árbitro. Que era ele? Meu irmão, Paulo Sérgio! Incorrigível!
(*) Edgar Vaz - Repórter da Rádio Caxias e presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG