Como acabar com a violência das torcidas organizadas?
Raul Grochau (*)
A justiça determinou que a torcida organizada conhecida como Geral do
Grêmio fosse punida com mais 90 dias de suspensão pelos atos de violência
registrados ontem na Arena antes da partida entre Grêmio e Novo Hamburgo. Esta
torcida já tinha sido punida anteriormente com uma medida impeditiva. A pena se
aplica a dois líderes da torcida que não poderão assistir aos jogos do Tricolor
nos próximos três meses. Os demais integrantes da torcida não estão autorizados a portar objetos
que identifiquem a organizada nos jogos. A punição atende a um pedido da
Promotoria do Torcedor.
Como tenho um estabelecimento
comercial nas proximidades da Arena pude presenciar este entrevero
pessoalmente. E ao contrário do que está sendo registrado pela imprensa, não
ocorreu apenas nos portões de acesso ao estádio, mas também nas ruas em frente
e nas paralelas. No ponto onde eu estava um grupo de 10 "torcedores"
passou correndo atrás de outro grupo rival que estava em desvantagem numérica
quando um escorregou e ficou para trás. Logo foi alcançado pelo grupo maior
quando foi soqueado, chutado no corpo e na cabeça. Não contentes com isto, mesmo
com o sujeito imóvel no chão, pegaram um paralelepípedo e arremessaram contra a
cabeça daquele que estava caído. Por sorte não acertou, caso contrário teria
rachado o crânio do sujeito que já sangrava muito. Não fosse a intervenção dos
vizinhos o cara teria sido morto.
Os torcedores comuns, desacostumados
com esta violência ficaram horrorizados com tamanha agressividade. Puderam
perceber o instinto ruim de uma pessoa que não pensa duas vezes em pegar uma
pedra para arremessar na cabeça de outro ser humano que já está caído e
portanto, incapaz de se defender. Isto pode ter muitos nomes, mas não é torcer,
não tem nada a ver com se identificar com um time de futebol, até porque os
agressores e os agredidos torcem para o mesmo clube. Isto só pode estar ligado
a índole ruim da pessoa que sente prazer em machucar alguém. Lamento que as
autoridades não possuam instrumentos capazes de banir para sempre estes
indivíduos dos estádios de futebol, embora eu tenha testemunhado ontem o enorme
esforço da BM em conter as brigas que surgiam a todo momento em vários pontos
no entorno da Arena do Grêmio. Diante disto até que tenhamos leis mais severas
os torcedores de bem e suas famílias terão que conviver forçosamente com esta bandidagem ou alguém tem outro
adjetivo mais brando?
(*) Raul
Grochau – Jornalista e editor do blog Pitacos Esportivos