Gauchão com protagonistas e coadjuvantes
Edgar Vaz (*)
O futebol de bota e bombacha é mais uma vez, a primeira atração da temporada. O nosso campeonato regional começa com dois clubes protagonistas brigando pelo título, e outros 12 coadjuvantes, que lutarão para não figurar entre os rebaixados. A esperança de que os times do interior possam assustar a dupla grenal é utopia.
Logicamente que esperança existe. E o que seria de nós, se não tivéssemos esperança. Mas não passa disso. No futebol como um todo só existe equilíbrio quando a própria organização do certame trata igualitariamente todos os competidores. Os regionais, não são assim. Pelo menos onde existem grandes clubes, que a partir da divisão de verbas a titulo de direito de imagem de jogadores e clubes, já é ponto de desequilíbrio.
É impossível não reconhecer que os clubes que mais investem, casos de Grêmio e Internacional, precisam ser mais valorizados.
A diferença de recursos que são repassados para os coadjuvantes do interior é muito grande. Até mesmo entre os coadjuvantes são usados critérios desproporcionais. Tem clube que faz futebol por três meses no ano, não investe em categorias de base, e ganha os mesmo recursos, que outros jogam o ano todo, inclusive competições de base.
Mas, fazer o quê?
Os clubes do interior vivem das migalhas oportunizadas a partir das verbas de televisão. Lamentável. É evidente que os “administradores” não exercitam planos estratégicos que lhes proporcionem recursos para investir em times verdadeiramente competitivos para no mínimo, brigar com a dupla grenal.
A cada ano que passa, o torcedor fica mais longe dos estádios. O preço dos ingressos está expulsando esvaziando campos de futebol. Muito se fala da crise que vivemos, mas os valores cobrados são absurdos para a realidade do nosso povo. É mais barato adquirir os pacotes televisivos e assistir em casa, com toda a comodidade, regado a uma cervejinha gelada e pestiscos que sai mais em conta. Sem contar que ficam livres da exposição à violência e com toda a família próxima.
Nesta primeira rodada vou conferir o Juventude enfrentando o São Paulo de Rio Grande no Jaconi, e o Brasil de Pelotas, encarando o Grêmio no Centenário. É possível acreditar que o “Sargento Garcia” possa prender o “Zorro”. Tomara que eu morda a língua!
Pérolas do mundo da bola
Há alguns dias atrás, o futebol gaucho perdeu o ex-jogador e técnico Delmar Martins, o “Bexiga”, que construiu uma trajetória no Guarany de Bagé e no Inter SM.
Certa feita, numa preleção ele soltou essa: “Se a coisa ficar preta, mete um balão na bola, porque enquanto ela estiver lá em cima, não estará aqui em baixo nos incomodando”.
(*) Edgar Vaz – repórter na Rádio Caxias e presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG