Perdeu, tá na rua: a demissão de Clemer
Raul Grochau (*)
A primeira experiência do ex-goleiro Clemer como técnico de um time profissional não durou muito. O aproveitamento do Clemer como técnico do Glória foi muito modesto. Em seis jogos foram duas derrotas, três empates e apenas uma derrota. Rodrigo Bandeira, ex-técnico do Brasil de Farroupilha deverá substituir Clemer. Com um grupo modesto à disposição o ex-técnico das categorias de base do Internacional não conseguiu obter bons resultados e acabou sobrando para ele. Faz parte desta nefasta tendência do futebol brasileiro. É de praxe, quando as coisas não dão certo demite o técnico. Mais previsível e simplório impossível.
Particularmente lamento a demissão do Clemer porque nas categorias de base do Internacional venceu sete das onze competições que disputou. Mais do que isto, ajudou a revelar valores que hoje são uma realidade no clube como Alisson, Willian, Rodrigo Dourado, Valdívia, Alisson Farias, entre outros. Claro que para os dirigentes sempre é mais fácil demitir o técnico quando falta dinheiro para investir na contratação de jogadores. Como não podem demitir os 11 jogadores optam por se livrar do treinador. Via de regra isto sempre dá errado, com raras exceções. Com certeza a história não será diferente para o Glória.
Sempre que um técnico é demitido de um clube como o Glória me questiono, será que a culpa é do técnico? Geralmente não é. Na maioria das vezes o time procura uma solução mágica para mascarar problemas como falta de infra-estrutura, qualidade do grupo de jogadores e um projeto a longo prazo. Por tudo isto me atrevo a dizer que o sucessor do Clemer também não permanecerá muito tempo no cargo. Os dirigentes do Glória querem um mágico, não um técnico de futebol. Se o Rodrigo Bandeira consertar o time do Glória podem me cobrar mais tarde. Sem medo de arriscar aposto que não. Sugiro que a direção do Glória contrate jogadores de melhor qualidade, pague salários em dia, proporcione ao treinador condições razoáveis de trabalho para só então cobrar resultados positivos. Caso contrário terão um treinador a cada três meses.
(*) Raul Grochau – Jornalista e editor do blog Pitacos Esportivos