domingo, 28 de fevereiro de 2016

Olhos de Lince

A semana de Roger

Roberto d’Azevedo (*)

Impossível não voltar ao assunto da semana passada, principalmente depois da manifestação de alguma dezenas de torcedores à porta do Centro de Treinamento do Grêmio na sexta-feira. Enquanto vai se esgotando o prazo de Roger para decifrar o enigma e entrar definitivamente no grupo de elite dos treinadores nacionais, a torcida, confusa, sem conseguir identificar o foco da solução que o Grêmio procura, hostiliza a esfinge.

A boa notícia para Roger (e para o Grêmio) é que os três jogos de lá pra cá deram algumas boas pistas para que ele possa decifrar o enigma no prazo que está terminando. A má notícia é que o centro da solução que se desenha talvez envolva mais do que simplesmente uma escolha técnica. No quesito do comando, quem sabe, pode estar o segredo do futuro do treinador do Grêmio.

Quarta-feira tem jogo da Libertadores (LDU), só uma vitória adia para a quarta-feira seguinte (San Lorenzo) a resposta se Roger passou ou rodou nesse teste. Entre os dois jogos, um Gre-Nal que pouco vale pelo Gauchão, mas decidirá qual dos dois clubes seguirá às finais da Primeira Liga. O empate elimina o Grêmio da competição. Em resumo: três partidas em oito dias e a imposição de ter que ganhar as três. As três na Arena, na presença da torcida angustiada, confusa e irritada, que tanto atrapalha a performance do time. Qualquer empate é derrota.

O enigma está centrado em Luan. Roger tem que achar um jeito de fazê-lo jogar. O Grêmio precisa velocidade e verticalidade. Já apresentou melhoras, mas não pode desperdiçar tantas oportunidades de gol como tem desperdiçado. Os três jogos da semana que passou mostraram, por exemplo, contra o Novo Hamburgo, que as ausências do capitão Maicon e de Douglas melhoraram o conjunto nos dois primeiros quesitos. E o centroavante Bobô, em poucos minutos, fez o gol da vitória. Contra o São Paulo, apesar da derrota ancorada em falhas individuais que pouco tiveram a ver com o desempenho do conjunto, a disposição com centroavante melhorou a atuação de Luan. E contra o Glória, com um Douglas diferente, jogando rápido e vertical, mas sem centroavante, a quantidade de gols desperdiçados foi espantosa. Aa vitória, de novo, só veio quando o centroavante Henrique entrou, nos minutos finais.

 solução do enigma, então, já tem um esboço. Luan não é 9, nem verdadeiro nem falso. Tem que jogar atrás do centroavante. A escolha pode ser Bobô ou Henrique, mas não escapa disso. Bolaños, que deve estrear, já disse que ali é o seu lugar preferencial também. Everton tem sido o atacante mais agudo quando o time joga sem centroavante. Giuliano é essencial, seja onde for. Contra o Novo Hamburgo, como segundo volante, deu conta do recado atrás e qualificou a saída de bola (velocidade e verticalidade). Então parece claro que, para um time que joga em casa as próximas três partidas e não pode sequer empatar nenhuma, o problema é, como foi contra o Glória, a presença de Maicon nessa engrenagem. Ele erra pouco passes, é verdade, mas alguém já contabilizou quantos desses passes são para trás (velocidade!)?

Difícil para Roger por em prática a solução: tirar o capitão do time, principalmente em um momento psicológico como esse. Os fatos estão mostrando que o caminho da solução é Walace  (Edinho ou Caio) e Giuliano; Luan, Douglas (Everton) e Bolaños; Henrique ou Bobô. Em uma semana saberemos se o jovem treinador do Grêmio está conseguindo passar para o grupo de elite ou continuará mais um tempo como uma promessa, como um treinador mediano que está ganhando experiência e, no futuro, poderá ser reconhecido como top de linha no seu meio.

(*) Roberto d”Azevedo - Jornalista