Ajuda, presidente!
Roberto Alves d´Azevedo (*)
Sem o açodamento que a Libertadores provoca na abertura de cada temporada, com um grupo qualificado “na mão” e credenciado pelos números de 2015 (segunda melhor campanha no 2º turno do Brasileirão), o treinador Argel Fucks encaminha bem o Internacional para uma temporada que tem a justificada ambição de voltar a conquistar, depois de 36 anos na fila, um campeonato brasileiro.
Para o Inter chegar ao sonhado tetra nacional, porém, é fundamental que a direção do clube, personificada no presidente Vitório Píffero que sempre esteve muito próximo do Departamento de Futebol, não repita os erros de 2015 que tanto atrapalharam o técnico Diego Aguirre e, em última análise, o próprio Inter. Não adianta encher o vestiário de contratações inúteis que mais tumultuam o ambiente do que colaboram com o time. É preciso contratar reforços, sim, mas poucos e cirurgicamente escolhidos. Não é o caso dos dois volantes que chegaram em dezembro e muito menos ainda desse centroavante Henrique, que, todo mundo sabe, é inferior ao Rafael Moura que está saindo.
De que adiantou renovar o contrato de Dida em 2015, se lá estava Alísson? De que adiantou trazer Léo, se aqui estava William? Rever não conseguiu nem ser melhor do que o Paulão. Anderson passou o ano na reserva e já mostrou que mandá-lo para a China é a solução. Por que deixou o Aguirre trazer o Nico Freitas se o Bertoto e o Dourado estavam aí? O que ajudou Lizandro Lopes? A atrasar as entradas de Sasha e Valdívia no time. Há meninos prontos, maduros, com todas as condições de formarem um grande time, só precisam de chances e incentivo. Esses meninos são o futuro do Inter.
À direção cabe garantir tranquilidade para Argel dar sequência a seu bom trabalho, sem se meter no vestiário, mas filtrar os pedidos dele de reforços e, acima de tudo, surpreende-lo com um ou dois craques daqueles indiscutíveis, que possam dar uma overdose de entusiasmo à torcida e sejam a solução para as deficiências que o time ainda tem: um zagueiro e um centroavante "em nível de D´Alessandro”.
(*) Roberto Alves d´Azevedo - jornalista