sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Exclusivo

Zé Roberto detona Luxa e Felipão: superados

Roberto Thomé (*)

A longa e vitoriosa carreira de Zé Roberto está se aproximando do fim. Em dezembro, depois da última rodada do Campeonato Brasileiro, serão definitivamente penduradas as chuteiras que o levaram dos nossos gramados para a Europa e de lá para a volta ao Brasil. A passagem dos anos, enfim, fez chegar a conta. Zé Roberto anunciou a aposentadoria numa entrevista coletiva alguns dias atrás. Ruim para o futebol e para quem o viu defendendo as cores do time que ama. Pelo talento e a entrega e por seu comportamento sempre correto, Zé Roberto tem a admiração de todos os torcedores como um dos maiores troféus de sua carreira.

No Grêmio ele passou duas temporadas e meia. Trabalhou com Vanderlei Luxemburgo e com Felipão. Tempos difíceis, de gastança para o sustento de medalhões e de pobreza técnica em campo. Zé Roberto não conquistou títulos, mas ganhou o respeito dos tricolores. Nesta entrevista ele fala de sua vida em Porto Alegre, analisa o peso dos anos sobre a escassez de títulos do Grêmio e afirma que Luxa e Felipão são dois técnicos superados.

-  Qual sua melhor lembrança de Porto Alegre?
Sem dúvida, a qualidade de vida que a cidade te proporciona juntamente com a gastronomia. Tenho saudades também dos amigos que fiz.

- Por que você saiu do Grêmio?
Saí porque tinha acabado o meu contrato e o clube optou por uma nova filosofia. A ideia lá era lançar e dar oportunidade aos garotos da base.

- Quem afundou mais o Grêmio, Luxa ou Felipão? Por que o Grêmio não deu certo com eles?
Acho que são dois grandes treinadores que foram vencedores por onde passaram. Mas no futebol moderno você precisa se reciclar, ter novas formas de treinamentos. Eles tentaram implantar uma filosofia que deu vitórias a eles lá atrás. Acontece que hoje o futebol está diferente, mais dinâmico e com mais intensidade. Se você não se adapta e não se atualiza você acaba ficando pra trás.

- O que faltou para o Grêmio ser campeão na sua época?
Eu acho que tínhamos um time muito bom e estávamos no caminho certo. O que faltou foi tempo, coisa que o futebol aqui no Brasil não tem. Aqui o futebol é resultado.

- Os 15 anos sem títulos pesam?
Você passar tanto tempo assim sem conquistar um título jogando em um clube do tamanho do Grêmio trás um certo desconforto, pois a cada ano a pressão aumenta por parte da imprensa e dos torcedores. É uma questão que tem que ser muito bem administrada para não influenciar no psicológico e no rendimento dos atletas.

- O Grêmio pode conquistar um título este ano?
Acredito que sim, pois o Grêmio conseguiu manter a base do ano passado, que fez um grande campeonato brasileiro, e ainda fez contratações pontuais. Além disso, tem o Roger como treinador fazendo um excelente trabalho e conta com uma torcida apaixonada da qual eu tenho saudades.

(*) Roberto Thomé – Repórter da Rede Record e Editor do blog www.robertothome.com.br