segunda-feira, 4 de abril de 2016

Começo de Jogo

4 de outubro/1974: um dia inesquecível no Beira-Rio

Júlio Sortica (*)

Sempre que o Internacional faz aniversário, dia 4 de abril, e o Beira-Rio, no dia 6 do mesmo mês, volto ao passado no distante 4 de outubro de 1974, mas tão presente na minha memória. E como poderia esquecer? Foi nesse dia que comecei verdadeiramente minha carreira de cronista esportivo. Na verdade, um “foca”, que mal conhecia os jogadores. Afinal, eu havia sido indicado pelo  meu colega de Fabico – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação/UFRGS) Sérgio Lotufo para  uma vaga de estagiário na editoria de Esportes do saudoso Diário de Notícias. O editor era o Eloidi Rodrigues e a sede ficava na São Pedro quase esquina com a Farrapos. Eu ia “estrear” como setorista do Inter – o Lotufo cobria o Grêmio.

E lá me fui naquela linda tarde de outubro na companhia do experiente fotógrafo Eduardo Vasseur rumo ao Beira-Rio. Naquele tempo a equipe de repórteres ocupava uma Kombi que ia deixando o pessoal em cada setor (Prefeitura, Assembleia, Câmara Municipal, Palácio Piratini, Grêmio, Inter e acho que SMT). Bem,  para mim seria um desafio, afinal, naquela época eu pouco me dedicava ao futebol...até jogava umas peladas de vez em quando, mas não assistia jogos. E quando cheguei ao Beira-Rio confessei ao Eduardo: “Cara, eu não conheço ninguém... Me dá uma luz e me diz quem é quem entre estes caras...”. E lá foi ele apontando: “Aquele ali é o Falcão, o outro o Figueroa, aquele negão sorridente é o  Escurinho, aquele lá é o Vacaria,  ali, o senhor de bigode é o técnico Rubens Minelli e aquele gritão de cabelos grisalhos é o preparador físico Gilberto Tim”, emendou. E foi citando outros. O Manga eu conhecia, rs, rs, rs – ao menos um.

Bem, lá estavam também alguns repórteres mais experientes, entre eles o Valtair Santos, da Gaúcha e Zero Hora, o Wainey Carlet, também novato, da Difusora, com suas calças boca-sino e um sapato de salto mais alto que o normal (rs rs rs). Acho que estava também o Machadinho, da Farroupilha, e outros que agora não lembro, talvez o Danni Gris, ou o  Cláudio Brito, o Belmonte.... Fiz o que todo “foca” deve fazer: observar os mais capazes. E depois  algumas entrevistas.

Logo veio o primeiro jogo, depois mais treinos, novos jogos, mais treinos e eu me debulhando a pesquisar em jornais mais antigos – ah! se tivesse internet naquele tempo seria barbada !!! informações sobre os jogadores, sobre o clube, sobre futebol enfim. Era difícil para mim porque minha intenção inicial em jornalismo era mais para a política, economia ou variedades – por causa da literatura e poesia. Mas fui tomando gosto pela coisa. Meu tempo no Diário de Notícias durou pouco, um mês, na verdade, porque fui indicado ou convidado pelo Roberto d’Azevedo – que já era mais veterano – para um estágio em Zero Hora, que estava crescendo. Claro que topei e mudei da São Pedro para a Ipiranga.

E foi no Beira-Rio que vi o primeiro Gre-Nal, com uma pauta específica: ficar grudado ou o mais perto possível do técnico Rubens Minelli para saber tudo o que ele falaria. Foi emocionante. E marcou muito. Depois ganhei experiência e mais tarde formei junto com o Nobrinho (José Evaristo Villalobos),primeiro na Folha da Tarde (onde estive de 1975 a 1978) e depois na mesma ZH, uma das melhores duplas de setoristas do Inter.  No decorrer da carreira pude vivenciar momentos incríveis com o Colorado, bons, como o tricampeonato Brasileiro – e o título invicto de 1979 -, ruins, como a derrota para o Nacional do Uruguai em Montevidéu  e a despedida do Falcão em 1981. Depois, longe do setor, do campo, pude acompanhar as conquistas que fizeram o Inter Campeão de Tudo.

Por tudo que vivi e presenciei nos períodos em que convivi com muita gente boa no Inter e no Beira-Rio (alternando alguns momentos de setorista do Grêmio – esse tempo fica para outra ocasião),só tenho três palavras para fechar esta coluna de dupla homenagem na Semana Colorada: “Muito obrigado Internacional”.

(*) Júlio Sortica – Jornalista, vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS