segunda-feira, 11 de abril de 2016

Artigo

Paulão virou o jogo a seu favor 

Nico Noronha (*)

Paulão faz o gol que abriu a vitória do Inter sobre o São Paulo e levou o clube às semifinais do Gauchão. Paulão foi um dos melhores em campo. Foi decisivo. Mereceu todos aqueles aplausos entusiásticos que vieram das cadeiras do Beira-Rio. Paulão é hoje um líder incontestável entre os jogadores colorados e até a braçadeira de capitão já andou amarrando em seu braço direito em alguns jogos. Quanta diferença! O que o tempo faz com as pessoas...

Há pouco mais de dois anos, quando contratado para reforçar o Internacional, o baiano Paulo César de Jesus Ribeiro foi recebido sob muita desconfiança. Sua passagem discreta, em temporadas anteriores, pelo Grêmio e pelo Cruzeiro – onde até conseguiu ser campeão brasileiro, como reserva –, não gerava, realmente entusiasmo entre os vermelhos. Além disso, a respeito de suas atuações pelo chinês Guangzhou Evergrande, de onde o Inter o buscou, ninguém sabia nada.

Mas Paulão virou esse jogo contra a desconfiança. Um homem que já derrubara tantos obstáculos na vida não iria mesmo atirar a toalha sem muita luta. Nem mesmo os  polêmicos casos de racismo vividos por ele em Porto Alegre causaram desânimo. Já ouviu colorados e gremistas chamarem-no de “macaco”. Num 2 de novembro de 2014, até sua mãe teve de se sujeitar às ofensas contra o filho, no pátio do Beira-Rio. Pois é... Dias depois Paulão marcou, de bicicleta, contra o Goiás, um gol antológico e decisivo para que o time conquistasse uma vaga para a Libertadores 2015.

Futebol é assim mesmo. Esse baú gigantesco e sem fundo de surpresas. O certo é que, no momento, Paulão, zagueiro obstinado, forte e impetuoso, está por cima. Aproxima-se da conquista de seu terceiro título estadual consecutivo e, ainda neste mês, completará 100 jogos com a camisa do Inter. Não é pouca coisa.

(*) Nico Noronha – Jornalista, co-autor do antológico livro “A História dos Gre-Nais”, com David Coimbra e Mário Marcos de Souza.