Falta de
ousadia
Gilson Piber
(*)
Não
discuto a seriedade do trabalho de Dunga no comando técnico da Seleção
Brasileira. Porém, na atualidade, não é o profissional mais capacitado para
dirigir a equipe nacional. Antes dele, na minha ótica, tem no mínimo uma dezena
de técnicos mais capazes. Cito, rapidamente, cinco: Tite, Muricy Ramalho, Levir
Culpi, Paulo Autuori e Mano Menezes (injustiçado quando foi demitido da
Seleção). Destaco, ainda, Cuca, Marcelo Oliveira, Ricardo Gomes, Abel Braga e
Dorival Júnior. Todos com mais rodagem e conquistas.
Falta
a Dunga ousadia para mudar a Seleção Brasileira, uma equipe ainda sem padrão de
jogo definido, futebol feio, burocrático e ineficiente. O técnico insiste com o
aproveitamento de dois volantes praticamente restritos a marcação, como são
Luiz Gustavo e Fernandinho. Nem Elias consegue dar uma boa resposta quando está
em campo, ao contrário do que faz no Corinthians.
Só
depois de estar com o placar adverso para o Paraguai, Dunga resolveu tirar seus
volantes defensivos para o ingresso de Hulk e Lucas Lima. Por que não utilizar
um único volante e recuar Renato Augusto, ganhando uma saída de bola melhor? O
time vai ficar “muito faceiro”?
É verdade que o único craque da Seleção é
Neymar. No entanto, o jogador do Barcelona está apagado diante do fraco
desempenho coletivo do time e da forte marcação adversária. Sem falar do
excesso do atacante nas reclamações com o árbitro, mesmo sendo capitão da
Seleção. Por estar na Europa há algum tempo, Neymar já deveria ter aprendido que
tal atitude não é acertada.
Sempre
ouvi dizer que o momento de cada jogador deveria ser levado em conta na hora da
convocação. O zagueiro Geromel, do Grêmio, pede passagem para receber uma
chance na Seleção desde 2015. Sequer é convocado. A volta de outro zagueiro,
Thiago Silva, do PSG, também merece ser analisada, independente dos fatos
ocorridos na Copa do Mundo de 2014 e da Copa América de 2015.
Além
de não arriscar nas mudanças nem criar algo novo no selecionado, Dunga é
teimoso, principalmente com a imprensa. A sua mania de perseguição ainda da
época de jogador, desde o Mundial de 1990, parece não ter sido esquecida,
apesar da volta por cima como capitão do tetra, em 1994, nos Estados Unidos. As
entrevistas coletivas do técnico são como canhões prontos para atirar no que
está pela frente. Isso não contribui em nada na relação de Dunga com os
jornalistas. Pelo contrário, só deixa a convivência ainda mais estremecida.
Sem
empolgar e com resultados insatisfatórios na seleção principal do Brasil, Dunga
quer ainda dirigir o time olímpico nos Jogos do Rio de Janeiro. Não há
necessidade disso. É mais um equívoco do técnico. De concreto, Dunga já não
goza mais do mesmo prestígio que tinha nem no meio dos cartolas da CBF. Um
sinal de mudança? O tempo dirá.
(*) Gilson
Piber - Jornalista da UFSM, comentarista da Rádio Guarathan, de Santa Maria
(RS), e professor do curso de Jornalismo da Unifra.