Paixão,
alegria ou frustração
Edgar Vaz (*)
Como
seria a melhor maneira de potencializar atualmente, o clássico Gre-Nal?
Ao
longo dos anos atuando na crônica esportiva, acompanhei confrontos entre azuis
e vermelhos que foram decisivos, uns meio “água com açúcar”, e outros que
apenas fizeram parte das estatísticas.
Não
há porém, como negar que o principal clássico gaúcho mexe com os aficionados do
futebol dos pampas.
Certa
feita, anos 1990, acompanhava o sogrão, Seu Rube, meu segundo pai, internado no
Instituto do Coração, recuperando-se de uma crise cardíaca. Que susto! Tivemos
que sair de Santa Maria para Porto Alegre, com o sogro infartado.
Após
alguns dias, eis que chega o domingo. Era dia de Gre-Nal. Jogo no Estádio
Olimpico, às 4 da tarde. Tudo como sempre deveria ser o futebol, em dia e
horário tradicionais.
Lá
pelas 15h30min, o “sogrão” me fala: “que tá fazendo rapaz que ainda não foi ver
o Gre-Nal? E insistiu: “Vai, pode ir! Eu to bem! Não precisa te preocupar!
Me
convenceu. Peguei o carro, um corcel II, muito bem cuidado, e com tudo em cima.
Me larguei em direção ao Olímpico. Era uma tarde de temperatura agradável,
tinha sol, mas pouco movimento na rua. Não tive dificuldade para chegar ao
estádio. Comprei o ingresso, para assistir a um Gre-NAll das arquibancadas, e
não de dentro do campo, onde muitas vezes estive.
Belo
programa, não? Sem filas, quando entrei
as equipes já estavam em campo. Deixei o radinho no carro, para assistir o jogo
de forma diferente. Apenas queria assistir ao jogo.
Sem
perceber o portão que acessei ao estádio, fui parar em meio aos torcedores,
atrás da goleira à direita das cabines de imprensa.
A
bola rola... Era um daqueles clássicos “água com açúcar”, mas tinha para mim,
um ingrediente diferente: assistiria ao jogo sem a responsabilidade de estar de
olho nas quatro linhas, conferindo lances, movimentação tática, entrevistas e
tal. Sequer lembro do placar.
Passei
a observar com curiosidade as reações dos torcedores. Estava ali uma oportunidade
de avaliar, bem próximo, como as pessoas curtem o clássico. Naquela época não
haviam muitas torcidas organizadas, mas a rivalidade de sempre.
Ouvia
contestações a atuação de alguns
jogadores. “Esse cara não joga nada! Dizia um. Alguns minutos depois, “esse
cara joga muito” afirmava o mesmo torcedor, em relação ao mesmo jogador. A
indignação vai à idolatria, em questão de minutos! O juiz tá roubando... o
técnico é burro... passa mais uma cerveja aí! Manifestações cristalinas e
espontâneas.
Primeiro
tempo ruim! Poucas emoções. Nada de muito interessante, a não ser as manifestações
dos torcedores. Começa o segundo tempo, o panorama não muda, e foi assim até o
final.
Deixei
o estádio, e só então liguei o rádio para ouvir as entrevistas e os comentários
sobre o clássico.
Neste
domingo, teremos mais um Gre-Nal. Um tempo diferente, jogadores diferentes. O
que não muda, são os torcedores apaixonados dos dois lados, vivendo uma vez
mais, alegrias ou frustrações. Tudo dependerá de quem irá vencer o jogo. Assim
será o clássico!
(*) Edgar Vaz –
Radialista da Rádio Caxias e presidente da Associação dos Cronistas Esportivos
Gaúchos/ACEG-RS