terça-feira, 1 de março de 2016

Futebol Nobre

O drama do Zé Miguel e Carlos Nobre pé-quente

José Evaristo Villalobos/Nobrinho (*)


Colorado, filho de pai gremista,  fui a muitos jogos do São José e do Cruzeiro com ele. Era a forma encontrada pelo pai compensar todo meu encanto com o futebol. E adotei a dupla Zé-Cruz. Normalmente, jogavam aos sábados, pois os domingos eram reservados à dupla Gre-Nal.

Na velha Montanha e no Estádio Passo D’Areia assisti a grandes jogos e passei por situações curiosas. Certa vez, jogavam São José e Guarani, de Garibadi, num sábado de Carnaval e eu estava no Estádio ao lado do Humberto Ruga, grande presidente do Zequinha. Fim do primeiro tempo: 1 a 0 para o Zequinha e fui convidado pelo “seu” Ruga a comparecer no vestiário para apoiar os jogadores e ouvir a preleção do técnico Paulo Sérgio Poletto. Grande Poletto. E ele tratava de motivar seus jogadores num calourão danado:

- Gente, 1 a 0 é pior resultado do futebol. Vocês relaxam  e os caras voltam com tudo. Uma escapada aqui, outra ali, e empatam. Daqui a pouco viram. 1 a 0 é terrível. – gritava ele.

Foi então que o Zé Miguel, autor do gol da vitória parcial do Zequinha, pediu a palavra:
- Seu Poletto. Então me desculpe por ter feito o gol...

A risada  foi geral, mas de certa forma aquilo manteve o time atento e os zequinhas pularam tranquilamente no seu carnaval, pois mantiveram o 1 a 0 até o final.

No ano de 1967, o pai nos levava, eu e meu irmão Marco Antônio aos jogos do Cruzeiro que estava na segunda divisão do futebol gaúcho. Todo jogo era um sofrimento daqueles para  voltar à elite e só víamos o Cruzeiro vencer. O time era bom, tinha um goleiro, Dirceu, que pegava tudo.  Arceu,  Bido, Jarbas Tonel, Carlos Castro, o goleador Cacildo e a grande estrela, o Bezerra, que acabou indo para a Espanha onde fez sucesso. Pois bem, faltamos um sábado e o Cruzeiro perdeu. O pai sofria de ácido úrico e tinha dificuldades de se locomover. Foi aí que aconteceu o inusitado.

Morávamos em Ipanema, era um outro sábado, outro jogo do Cruzeiro na Montanha e o Carlos Nobre seguia “lesionado”. Eis que, de repente, pára um ônibus em frente à nossa casa e desce toda a delegação do time, chefiada pelo presidente Rubens Hofmeister.  Foram pedir a ‘benção” do pai antes do jogo. E ...venceram de novo. Reza a lenda que o Cruzeiro só não subiu naquele ano para a série A, pois o meu pai acabou se transferindo para a TV Excelsior e foi morar no Rio de Janeiro.

(*)José Evaristo Villalobos/Nobrinho – Jornalista, ex-assessor de imprensa do Sport Club Internacional