Nico Noronha (*)
Acabou o primeiro turno da Libertadores para o Grêmio. E o balanço dessa série de três jogos não é dos mais positivos. O time gaúcho jogou apenas uma vez fora de casa e sua atuação foi medíocre, sofrendo 2 a 0 do Toluca. A reação teria de vir nas duas partidas seguintes, ambas em Porto Alegre, mas dos seis pontos idealizados, vieram apenas quatro, o que complicou bastante a situação do clube no Grupo 6.
A decepção mais recente se deu na noite desta quarta-feira, no empate por 1 a 1, em casa, com o San Lorenzo da Argentina, o time do Papa. O Grêmio até saiu na frente, com um gol de falta cobrada pelo zagueiro Fred, mas não fazia por merecer a vantagem, já que o adversário era melhor em campo. De tal forma que, sete minutos depois, aos 32, empatou com um gol de cabeça do centroavante Cauteruccio.
A segunda etapa foi um “Deus nos acuda”. O Grêmio tentava exercer pressão, em busca da necessária vitória, mas a equipe argentina se defendia muito bem e armava contra-ataques a todo instante. O técnico gremista, Roger Machado, tentou uma ação desesperada, mas que ao fim revelou-se totalmente equivocada: ele amontoou atacantes (Bobô entrou aos 14, Fernandinho aos 25, e Henrique Almeida aos 32), mas perdeu de vez o meio de campo, e acabou sendo com alívio que a torcida viu o apito final do árbitro uruguaio Daniel Fedorczuk.
O erro estratégico de Roger saltou aos olhos de todos, de tal forma que o técnico foi bastante questionado sobre suas decisões na entrevista coletiva pós-jogo. Ele se defendeu com uma frase simples: “Acho que fiz o certo, o que era adequado para a situação”. E pronto.
Certo mesmo é que, como consequência do resultado prático, o Grêmio acabou o turno em 2º lugar do grupo, mas apenas dois pontos à frente do lanterna, que é exatamente o San Lorenzo, o qual enfrentará em Buenos Aires na semana que vem. Vai ser uma pedreira. E o pior é que, depois, o time de Roger ainda terá uma segunda partida consecutiva fora de casa, contra a LDU, na altitude de Quito. Ou seja, não resta dúvida de que algumas nuvens bastante escuras já podem ser vislumbradas no horizonte gremista.
(*) Nico Noronha – Jornalista, co-autor do livro “A História dos Gre-Nais”