quinta-feira, 31 de março de 2016

Começo de Jogo

Depois do susto, Inter vira o jogo no melhor segundo tempo do ano

Júlio Sortica (*)

O jogo desta quinta-feira no Beira-Rio, que terminou com a goleada do Inter por 4 a 1 sobre o Brasil-PE, presta-se a muitas teses, comentários, opiniões, críticas etc... menos à unanimidade. Há quem veja como uma partida na qual o Xavante teve todas as chances de consagrar-se com uma vitória importante depois de fazer 1 a 0 e praticamente não permitir um ataque perigoso do Inter no primeiro tempo – nem mesmo a falha do juiz ao marcar uma falta técnica do goleiro Eduardo Martini resultou em lance de gol. Mas o futebol é apaixonante por isso: de time vaiado na saída  na saída da primeira etapa, o Inter terminou aplaudido no final. E com justiça, pois o futebol que apresentou na etapa final foi o “melhor jogo” do ano.

As razões? Mudanças táticas, vontade, determinação e, claro, um vacilo fatal da defesa do Brasil logo no início, quando Sasha chutou em cima da zaga e a bola sobrou na entrada da pequena área. O zagueiro Leandro Camilo e o volante Leandro Leite ficaram esperando a saída do goleiro Eduardo Martini, que por sua vez esperou que os companheiros afastassem a bola. Os três ficaram se olhando e Anderson tocou por cima com a ponta do pé. O Brasil sentiu o golpe e  se desestruturou. Um minuto depois Andrigo ampliou. E Xavante, que já estava cansado e abalado, caiu por terra e a acabou goleado.

Este detalhe foi importante, mas democraticamente quero discordar de alguns amigos que atribuem a virada do Inter e o bom resultado mais às falhas do Brasil do que méritos do Colorado. Mesmo reconhecendo que ainda falta muito para o Inter tornar-se um time respeitável, não se pode negar que no segundo tempo a equipe mostrou qualidades. Houve mais compactação no meio de campo, jogadas em velocidade, movimentação e troca de lugar entre os atacantes, resultando em atuações eficientes de pelo menos três jogadores: Anderson (1 gol), Andrigo (2 gols) e Vitinho (1 gol).

A propósito de Vitinho, o estilo deste jogador me agrada muito. Além de voluntarioso, tem uma qualidade indispensável aos bons atacantes: chuta a gol quando existe a oportunidade, é ambidestro, cobra faltas e está sempre pronto para receber a bola. Outro detalhe a destacar na partida foi a alteração que o técnico Argel fez no intervalo. Como o Inter conseguiu mudar a data do julgamento do lateral William desta quinta para sexta-feira, ele jogou meio tempo, sendo substituído na função por Fabinho – que fiz ter cumprido essa função quando estava no Figueirense e Argel era o treinador. Fabinho até que deu conta do recado... Fez bem o Argel, pois embora alguns repórteres e comentarista projetem que William seja punido com poucos jogos pela agressão a Bolaños, minha tese é que pegue no mínimo cinco jogos.

Voltando ao Gauchão. A reta final, na rodada de domingo, vai definir algumas posições pendentes, tanto para ingresso na Z-8, como as duas vagas na Z-3. Com a vitória o Inter passou o Juventude e assumiu a terceira posição, atrás do São José e do Grêmio. A próxima rodada define os oito classificados e os cruzamentos da próxima fase.

(*) Júlio Sortica – Jornalista, vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS