domingo, 20 de março de 2016

Começo de jogo

Lincoln, simplesmente genial!

Júlio Sortica (*)

A tendência de muitos jornalistas é dar atenção a fatos negativos que precisam de correção ou melhorias. É uma espécie de tendência natural, como se fosse uma obrigação descobrir erros e apontar soluções. Mas hoje vou pelo viés oposto: o positivo. Esta introdução não é para justificar porque ao invés de falar sobre o “limbo” tático pelo qual passa o Inter, prefiro fazer uma homenagem ao menino-homem Lincoln, que está provando que o futebol pode ser bonito e eficiente, como já o fizeram o falecido (lamentavelmente) Dener, Ronaldinho e o agora Neymar. Lincoln novamente foi o destaque do Grêmio na vitória por 2 a 1 sobre o Ypiranga, em Erechim, e que garantiu a liderança do tricolor no Gauchão aproveitando os tropeços do São José e do Juventude.

Lincoln já vinha sendo destaque por suas atuações em outras partidas, mas cresceu em conceito depois do gol decisivo contra o San Lorenzo, na Argentina e que garantiu a sobrevivência do Grêmio na Libertadores. No entanto, neste domingo, o garoto de 17 anos mostrou, além da qualidade técnica já conhecida, também perspicácia, imaginação, esperteza, e uma série de outros adjetivos ao marcar um belíssimo gol no Colosso da Lagoa. Ao entrar na área quando percebeu o avanço do lateral, sabia que viria um cruzamento. Antecipou-se ao zagueiro, mas a bola era para ser concluída, preferencialmente com o pé direito, “de chapa”, como dizem os boleiros. Mas Lincoln surpreendeu e concluiu com o pé esquerdo, de calcanhar.
“De chaleira”, ou “de trivela” como gostam de designar alguns... o Fantástico preferiu inventar o gol de “Coice”, mas deixou para o final do bloco, valorizando o lance.

Independente do nome que possa vir a ser classificado, o gol de Lincoln merece todos os elogios mas, acima de tudo, nos comprova que estamos diante de um jogador excepcional, diferenciado... Vou usar um chavão, mas é o que melhor pode explicar a situação: “é um diamante que precisa ser lapidado”. De fato, Lincoln precisa ter um acompanhamento especial porque não é apenas mais um. Não é um jogador comum. É sério, compenetrado, dedicado, não foge do pau... mas também não é modesto. Ao ser perguntado ao final do jogo como foi o lance, descreveu-o  sem mistério, mas complementou dizendo que “já fiz outros assim”.

Bem, agora a questão está com Roger: Lincoln precisa ter sequência, acompanhamento, orientação e um lugar no time. Quem vai sair? O técnico ganha bem para tomar esse decisão. A dúvida de muitos é que Douglas pode não ser gênio, mas é bom jogador. Aí, outra pergunta para Roger: Lincoln e Douglas podem jogar juntos, sendo ambos canhotos? Quem sabe o técnico não aproveita os próximos treinamentos e jogos do Gauchão para fazer testes.


(*) Júlio Sortica – Jornalista – Vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS