Lincoln,
simplesmente genial!
Júlio Sortica
(*)
A
tendência de muitos jornalistas é dar atenção a fatos negativos que precisam de
correção ou melhorias. É uma espécie de tendência natural, como se fosse uma
obrigação descobrir erros e apontar soluções. Mas hoje vou pelo viés oposto: o
positivo. Esta introdução não é para justificar porque ao invés de falar sobre
o “limbo” tático pelo qual passa o Inter, prefiro fazer uma homenagem ao
menino-homem Lincoln, que está provando que o futebol pode ser bonito e
eficiente, como já o fizeram o falecido (lamentavelmente) Dener, Ronaldinho e o
agora Neymar. Lincoln novamente foi o destaque do Grêmio na vitória por 2 a 1
sobre o Ypiranga, em Erechim, e que garantiu a liderança do tricolor no Gauchão
aproveitando os tropeços do São José e do Juventude.
Lincoln
já vinha sendo destaque por suas atuações em outras partidas, mas cresceu em
conceito depois do gol decisivo contra o San Lorenzo, na Argentina e que
garantiu a sobrevivência do Grêmio na Libertadores. No entanto, neste domingo,
o garoto de 17 anos mostrou, além da qualidade técnica já conhecida, também
perspicácia, imaginação, esperteza, e uma série de outros adjetivos ao marcar
um belíssimo gol no Colosso da Lagoa. Ao entrar na área quando percebeu o
avanço do lateral, sabia que viria um cruzamento. Antecipou-se ao zagueiro, mas
a bola era para ser concluída, preferencialmente com o pé direito, “de chapa”,
como dizem os boleiros. Mas Lincoln surpreendeu e concluiu com o pé esquerdo,
de calcanhar.
“De
chaleira”, ou “de trivela” como gostam de designar alguns... o Fantástico
preferiu inventar o gol de “Coice”, mas deixou para o final do bloco,
valorizando o lance.
Independente
do nome que possa vir a ser classificado, o gol de Lincoln merece todos os
elogios mas, acima de tudo, nos comprova que estamos diante de um jogador
excepcional, diferenciado... Vou usar um chavão, mas é o que melhor pode
explicar a situação: “é um diamante que precisa ser lapidado”. De fato, Lincoln
precisa ter um acompanhamento especial porque não é apenas mais um. Não é um
jogador comum. É sério, compenetrado, dedicado, não foge do pau... mas também
não é modesto. Ao ser perguntado ao final do jogo como foi o lance,
descreveu-o sem mistério, mas complementou
dizendo que “já fiz outros assim”.
Bem,
agora a questão está com Roger: Lincoln precisa ter sequência, acompanhamento,
orientação e um lugar no time. Quem vai sair? O técnico ganha bem para tomar
esse decisão. A dúvida de muitos é que Douglas pode não ser gênio, mas é bom
jogador. Aí, outra pergunta para Roger: Lincoln e Douglas podem jogar juntos,
sendo ambos canhotos? Quem sabe o técnico não aproveita os próximos
treinamentos e jogos do Gauchão para fazer testes.
(*) Júlio
Sortica – Jornalista – Vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos
Gaúchos/ACEG-RS