quarta-feira, 30 de março de 2016

Artigo

Nossas façanhas?

Gilberto Jasper (*)

Depois dos 7 a 1 para a Alemanha, na traumática Copa do Mundo disputada dentro de casa sob a batuta de Felipão, imaginei que o Rio Grande do Sul não teria condições de dar outra "contribuição" do mesmo calibre. Mas, depois do desempenho pífio de Assunção, receio que a capacidade de gerar novos fiascos sob o rótulo "made in RS" não tenha se esgotado no Mineirão.

Não fosse a covardia do Paraguai no segundo tempo estaríamos discutindo abertamente o nome do substituto de Dunga que certamente frequentou o mesmo curso de media training de Argel para conceder entrevistas coletivas.

- Fazer o que? A seleção se reúne a cada dois meses, faz dois jogos, se dissolve e dois meses depois começa tudo de novo!" - justificou recentemente.

O detalhe que o carrancudo treinador omite é que todas as seleções que disputam as eliminatórias sul-americanas enfrentam a mesma dificuldade. Mas conseguem ter um padrão mínimo de jogo, organização e um mínimo de qualidade coletiva.

O que se viu no último jogo da seleção canarinho - expressão "dos bons tempos", literalmente!

- se assemelhou a uma pelada de final de semana, onde no segundo tempo a bagunça foi generalizada. Só faltaram os barrigudos.

Agora serão seis meses de limbo estacionário de uma seleção brasileira em vexatório sexto lugar. Na volta, duas "carnes de pescoço" - Equador (fora de casa) e Colômbia, em estádio verde-amarelo a ser definido. A CBF escolherá, com luvas de pelica, o lugar apropriado para sediar esta segunda partida. Como a Presidente Dilma, o público deverá ser domesticado, mudo para vaias, cego para erros primários, conformado em apenas em assistir ao desfile dos craques bilionários.

Aldyr Schlee, filho de Jaguarão e mundialmente famoso por idealizar a lendária camiseta amarela, jamais imaginou que os usuários de sua invenção poderão protagonizar um desastre histórico: ficar fora da Copa do Mundo, pela primeira vez. E agravado pelo fato de ter a regência do conterrâneo: Carlos Caetano Bledom Verri, vulgo Dunga.

O Rio Grande do Sul não merece.

(*) Gilberto Jasper -  Jornalista  - Editor do blog www.gilbertojasper.blogspot.com.br