segunda-feira, 7 de março de 2016

Artigo

O Gre-Nal nunca termina

Nico Noronha (*)

O clássico Gre-Nal de nº 409 da história não terminou pouco antes das 21 horas de domingo, quando do apito final do árbitro Anderson Daronco. O Gre-Nal, 24 horas depois, segue sua sequência de pontapés e ofensas pra lá e pra cá. Ao 409 não bastaram os 90 e poucos minutos de bola rolando no campo da Arena.

O lance determinante desse prolongamento do duelo ocorreu cedo, ainda no primeiro tempo, quando o cotovelo do lateral colorado William acertou a mandíbula do atacante gremista Bolaños, fraturando-a em dois lugares. Curiosamente, naquele instante o juiz marcou falta a favor do Inter e ninguém chegou a notar a gravidade da lesão no equatoriano.

Foi apenas durante o intervalo, no vestiário, que os médicos constaram as fraturas e Bolaños teve de ser retirado de campo – sem previsão de retorno após a obrigatória cirurgia de reconstrução que terá de ser feita.

O que se viu na sequência foi um confronto ainda mais acirrado e feio do que já havia sido nos primeiros 45 minutos. Willian passou a ser caçado pelos inimigos, Paulão reagiu a uma falta desferindo um pontapé sem bola em Henrique Almeida, sendo por isso expulso, e de futebol que é bom, não se viu nada.

Foi um zero a zero absolutamente justo. Um jogo de times amontoados no setor central e no qual os dois goleiros nem chegaram a ser exigidos. E o pior é que ainda não terminou, pois agora o Grêmio quer punição severa e afastamento dos gramados do lateral William, enquanto o Inter defende seu atleta e diz que o criminoso do Gre-Nal foi, isso sim, o volante gremista Maicon, que deu uma solada violenta em Rodrigo Dourado.

Ainda tem muito bate-boca vindo por aí e, quem sabe, até um duelo nos Tribunais.

(*) Nico Noronha – Jornalista, co-autor do livro “A História dos Gre-Nais