quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Pé na Jaca

Comentarista(?) de arbitragem 

Joabel Pereira (*)

O que acontece quando o narrador erra o nome do jogador, quando o repórter dá informação equivocada, ou quando o comentarista “queima a língua” ao ver o gol de alguém que apontava com segurança ser inútil na partida? A resposta para todas as questões, seguramente unânime é: nada. E dizem a lógica e o bom senso que nada pode mesmo acontecer, afinal o erro é humano e todos vão narrando, informando e opinando durante o decorrer da partida. Mesmo que estejam bem sentados, acomodados, muitas vezes no ar condicionado, estão focados em garantir a audiência através do trabalho que executam.

E os árbitros de futebol, por que são avaliados sem direito a falhas pelos mesmos que erram na narração, na reportagem e no comentário? Esses seres que precisam controlar 22 jogadores não apenas no cumprimento das regras do jogo, como na disciplina e até nas relações com torcedores e que devem correr o suficiente para estar próximo o necessário de onde a jogada acontece, como são tratados?

De uns tempos para cá surgiu um figura nova, quase sempre com aptidão apenas teórica e nos testes físicos, intitulada “comentarista de arbitragem”. E essa figura, normalmente bem acomodada, sentada, descansada assume como dono da verdade a avaliação do desempenho dos árbitros. O pior é que, ao contrário dos árbitros que só têm os próprios olhos para ver o que acontece, essa figura “apita” pela televisão. Só assume posição depois de “rever o lance” não uma, nem duas vezes, mas por todos os ângulos que câmeras estrategicamente colocadas mostrem as imagens. E não raras vezes, “apita” só depois de ver em “câmera lenta”. Mais adequado seria ser tratado como comentarista de vídeo tape.

É preciso que o torcedor perceba essas condições de desigualdade e trate de fazer seu próprio juízo pelo que vê e não pelo que querem que ele veja. Isso fará muito bem ao futebol, pois a violência nos estádios tem tudo a ver com maneira como público é condicionado a reagir. E o comentário da arbitragem, é só uma delas.
Então, olho vivo!

(*) Joabel Pereira -  jornalista e cronista esportivo